Raquel Forner."Civilização" - 1938. |
O mundo atual se divide entre os povos desenvolvidos e
civilizados - e por isso mesmo vistos como nações ricas, e aqueles que vivem na
miséria e no atraso, eivados de práticas culturais e sociais que revelam não
terem saído ainda do período da idade média, onde os valores humanos eram
desprezados para dar lugar à dominação dos indivíduos mais fortes na exploração
e escravização dos mais fracos, operando-se aí a discriminação das pessoas pela
raça, pela cor da pele, pelo sexo, pela condição econômica e até mesmo pela
religião – e por isso mesmo vistos como povos famintos, miseráveis e atrasados.
Notadamente que arraigados a esses valores, tais povos
não conseguem evoluir e ter uma consciência humana que seja capaz de tira-los
desse estado horroroso e de degradação, pois falta-lhe o elemento essencial que
é a EDUCAÇÃO em todos os seus aspectos, principalmente, no tocante a educação
doméstica. Assim, o questionamento que faz nesse momento é, como se desenvolver
sem que se eduque o indivíduo? Certamente que isso é impossível, e a explicação
está nos povos civilizados, os quais só conseguiram chegar ao nível atual
depois de investir maciçamente na educação dos seus nacionais. Alguém conhece
uma nação que tenha se desenvolvido tendo um povo ignorante? Seguramente que
não. Portanto, vamos repetir o que sempre temos dito: sem que se invista
maciçamente na educação não há saída para os problemas de uma nação,
principalmente, para a fome, a violência, a corrupção e para o desenvolvimento
econômico e social.
Notadamente, que é do interesse de alguns manter o
povo deseducado, pois somente assim se pode manipular as consciências, fomentar
a escravidão, explorar as riquezas, violar direitos fundamentais e manter a
dominação. Todos esses fundamentos se constituem em paradigmas para a aferição
do grau de civilidade de um povo, de forma que, na medida em que tais
fundamentos são alterados, visivelmente se pode perceber que ressoa no contexto
social o reflexo do processo desenvolvimentista, com a diminuição da violência,
o abandono do radicalismo e do individualismo, o respeito às pessoas, as leis e
as instituições, o sentimento humanitário, as práticas de higiene pessoal e o
cuidado com a coisa pública. Mas tudo isso só ocorre de maneira sutil e depois
da implementação de políticas públicas sérias, responsáveis e efetivas, e que
sejam capazes de atingir a vida doméstica, com a valorização do ser humano e a
elevação de sua autoestima, para daí se ter uma nova visão do que seja a
escola, como instituição de ensino que vai fazer a diferença em sua vida, e
onde o patrimônio público e o professor possam ser vistos com o valor que eles possuem.
Ademais, vale lembrar ainda que a educação transmite
valores que ficam inseridos na formação moral do indivíduo, de forma tal que o
mesmo não transige com a dignidade, com honra, com a moral e os bons costumes,
repelindo assim tudo quanto se apresente de forma diversa. Um exemplo disso foi
quando da cassação do presidente americano Richard Nixon, quando o povo não o
perdoou pela falta de ética em espionar o partido contrário. E note-se que Ele
foi cassado por um Juiz de grau inferior, sem os odiáveis privilégios legais,
como os que existem no Brasil. Isso é ter caráter e orgulho de fazer com que a
lei seja cumprida igualmente para todos, não importando quem seja a pessoa ou a
autoridade que tenha cometido um desvio de conduta. Outro exemplo se pode ver
nos países que ficaram arrasados depois da segunda guerra mundial, como a Alemanha
que até água não tinha para se beber, pois tudo estava contaminado pelas
bombas, e hoje, quase 60 anos após e depois ter investido maciçamente na
educação, se transformou em um povo desenvolvido com uma economia mais forte de
toda a Europa. Assim foi o Japão, a França, a Itália e tantos outros países,
cujo povo não buscou a ignorância, a violência, a roubalheira
institucionalizada, o desrespeito às normas e ao ser humano, para se
desenvolvesse. A educação sistemática, transmitida de geração para geração foi
o caminho percorrido para a civilização.
Nessa mesma linha de pensamento, forçoso é reconhecer
que não basta que homens e mulheres sejam ricos, ostentam carros e roupas
importados, possuam títulos universitários, ou ocupem posições de destaques na
sociedade, se lhes faltam caráter, valores éticos, morais e humanitários, isto
porque muitos bandidos também assim se apresentam. Não é a aparência exterior que
qualifica o indivíduo a pertencer a um mundo civilizado e sim suas ações no
contexto social. E é por isso que se classificam os países como civilizados, em
desenvolvimento, subdesenvolvidos, atrasados e bárbaros. Sair de uma
classificação dessa para outra imediatamente superior imposta em investimentos
pesados do poder público e com a participação gradativa de toda a sociedade. A
questão econômica é uma mera consequência do desenvolvimento educacional, o
qual, também, não está ligado à questão geográfica, muito menos relativo ao
tamanho do país. A França, o Japão e a Itália possuem área geográfica do tamanho
aproximado do Estado da Bahia. Notadamente que os maiores índices de atraso se
verificam no continente africano e em países de religiões extremamente
conservadoras e radicais. É preciso investir muito mais na educação se se
quiser resolver os problemas que afligem o povo brasileiro.
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