A
T A R D E C H E G A
De
tanto ver o raiar do dia
E
o sol reluzente se impor
Tudo
caminha para o seu lugar
É
uma ordem que nunca mudou
Não
há como fugir desse caminho
Mesmo
que deveras não queiras cumprir
Cedo
ou tarde, a tarde há de chegar
Até
para aqueles que da terra subir
Se
nas estrelas seu ninho fizer
Ainda
assim o mandamento, o dizer
De
lá te derrubarei na tarde que chega
Quem
poderá assim se esconder?
O
cansaço é o teu companheiro
A fadiga
a herança do passado
Na
esperança do descanso d’alma
Perseverar
se impõe resignado
Quem
fui, quem sou, o que serei?
Fui
o que poderia ter sido, ou não.
Sou
aquilo que me foi permitido ser
E
o amanhã não estará na minha mão
O
certo é que já é bastante tarde
A
noite em breve há de chegar
Não
há medo, há prazer e consciência da paz
Por
que não viver bem e gozar?
O
dia amanhece de novo, com uma nova luz
Não
há mais tarde, nem noite, tudo é viver
O
sol brilha sem queimar, há verdadeira paz
Tudo
acabou, e agora é tão somente prazer
Adilson Miranda de Oliveira
O S E U L I N D O O L H A R
Espada de dois gumes que penetras no âmago
A tudo observas para colocar no seu devido lugar
Eficiente, doce, viva, e que a nada feres por prazer
Mas conduzente com o seu extremo olhar
Que rapidez, com que profundeza alcança!
Verás que a perfeição se agiganta na alma
Na trincheira das grandes emoções vividas
Certamente que assim o coração bate palma
E quanto tudo se parece acalmar
Nele continua a vida teimando existir
Formando e transformando a consciência
De quem sabe se dirigir ao porvir
Brilhantes como dois faróis incandescentes
Ainda bem cedo fez pousar no entardecer
Um foco Lindo e encantador fez-me olhar
Na alegria antes invisível que agora fez florescer
Não era um entusiasmo inconsequente do ser jovial
Mas um conflito se estabeleceu, ilusão, imaginação,
proibição...
O que viu não para de sua mente atormentar...
Um dia após o outro o sol se foi, é tarde,
é noite e um novo
amanhecer
Como não atender ao chamamento desse irresistível olhar
Hei-me aqui estou, o seu olhar contagiou o meu viver
Adilson Miranda de Oliveira
ANIVERSÁRIO
Não me canso de dizer, te amo
Sei que por vezes exagero
É por isso que me esmero
És a pessoa mais linda
Dentre tantas que conheço
Busco merecer ainda
O seu dengo, seu apreço
Nesse dia fulgurante
Que a vc tudo converge
Vejo a face reluzente
Daquele amor que emerge
Vejo como o sol brilhou hoje
A chuva não mais caiu
Tudo converge, bradou
Foi a ordem que se ouviu
Parabéns pelo seu aniversário
Foi a mensagem que se mandou
Feliz serás nesse cenário
Que os céus pra ti preparou
Adilson Miranda de Oliveira
UMA FLOR. MINHA FLOR.

Eis que surge uma flor em meio à turbulência
Tão bela, resplandecente, doce e formosa
O símbolo de um amor, que inocência!
Ela é diferente. É meiga. É a minha linda flor.
Um nome ser-lhe-á dado de suA origem nobre
Não importanDo aquele pelo qual é conhecida
Uma seiva azul e especial, deterMinante de prole
Não há porque deixAr sua linhagem desmerecida
Não surge no alvorecer ou num jardim bem cuidado
Ervas a circundam como a querer sufocá-la
Mas seu brilho se sobressai num serrado
Cada vez mais linda como a querer desafiá-las
Nenhuma outra se sobressai no seu surgimento
Arrefecem-se ânimos, mudam-se os corações
Todo o ambiente contagiado e sem fingimento
A vida, o amor, a esperança, o desejo, as emoções
Uma meiga flor que surge de um grande amor
Responsável pelo meu rejuvenescer
O conheci na efervescência do seu calor
És bela também no seu interior. Que prazer.
Mas, já é bastante tarde, o que agora fazer?
Revigoro-me quando próximo o crepúsculo
Resistindo para vê-la exuberantemente crescer
Ver-lhe-ei sim, mesmo que por um tempo minúsculo.
Adilson Miranda de Oliveira
MOMENTOS DURADOUROS
Há momentos duradouros de uma profunda solidão
Não há quem imagine o quanto isso dói dentro do peito
Quando se tem dentro dele uma imensa paixão
Há momentos duradouros que sozinho não se é ouvido
Não que não existam pessoas ao nosso redor...
Quando se sente um silêncio e nenhum gemido
Há momentos duradouros de tamanha reflexão
Não que a vida não nos mostre o verdadeiro caminho
Quando se afugenta do ser o sentido, a razão
Há momentos duradouros de uma espera sem fim
Não que todos tenham sumido, mudado, desaparecido
Quando se avoluma um indesejável sentimento ruim
Há momentos duradouros que não se deseja viver
Não que o interrompendo se vislumbre a solução
Quando se sabe que alguém vive e detém o poder
Adilson Miranda de Oliveira
O QUE FAZER

Um amor sobrevivente da força do passado,
Momentos flutuantes de carinho profundo
Quem o deterá depois de tanta turbulência
O que fazer agora. És o mais belo do mundo.
Vejo-o e sinto os momentos como se agora fossem.
Serás loucura?! Então porque demoras tanto e nada muda?
Tormentos, angústias, ânsias, perseguições e ameaças
Tudo contribui para um agigantamento que não transmuda
Sinto-o como se tivesse sido agora mesmo
Momentos bem distantes de uma real paixão
Fez brotar um sentimento duradouro e de loucura ímpar
Mas que doçura, que beleza, que ternura, que paixão!
Longe estás.
Ternura de Plamen Telmekov [imagem online]. Disponível em: http://gehspace.com/edicao%2060%20imagens/Ternura.jpg [Acessado 10 mar 2011]
BACIA DO SALGADO

Caminhando juntos por ordem natural
Eis que belos, independentes e majestosos
Seguem juntos em harmonia sem igual
Mantendo individualmente valores desejosos
As paixões deles renascem com as riquezas
Construindo a cada dia a esperança do possuir
Mas tudo passa e eles continuam com a firmeza
De quem jamais deixará de existir
Quem os deterá nessa linha de imponência paralela
Há um verde, um sal, um vento, uma planície e uma altura
Majestosos que se respeitam nas limitações em tela
Diferentes, mas pacificados nas bravuras
Existir assim é a determinação que lhe foi imposta
Abrigando entre ambos uma nova civilização, Ibicaraí
Terra Santa na língua virgem ali então posta
Antes hospedaria de quem vinha de Itapuí
Adilson Miranda de Oliveira
Rio Salgado [imagem online]. Disponível em http://cienciaparaavida.blogspot.com/2009/08/qualidade-da-agua-e-um-fator.html [Acessado 03 mar 2011]
UNILATERAL

Se vc me amasse para mim teria ligado
Como isso não ocorreu e não há nenhum gesto
Permaneço observando o que acontece calado
Mas sem nada poder fazer de resto
Assim foi sempre a vida inteira comigo
Nunca tive sorte que durasse tempo
Compreendo não ser diferente consigo
Disso ninguém tem culpa, eu aguento
Amar, amar, amar eternamente
Esse é o destino que me resta
Não ser amado de forma eloquente
Será a vida que a mim se presta
Não devo e não posso jamais reclamar
A mim o destino reservou esse quadro
Quem dele pode ousar se afastar?
Sendo assim eu sigo o caminho magro
Viver, viver é por demais preciso
Não há como viver sem amar
Parece que sim, parece que não
Mas outro caminho não me resta trilhar
Amar, amar, amar mesmo assim
Seguramente morto acredito estarei
Sigo o caminho falando de mim
Se bom não digo, se ruim não sei
Quando acordares verás que o tempo passou
Que eu já me fui e não mais serei
Que a beleza dos céus de hoje não esperou
E que tudo no infinito mergulhei
Adilson Miranda de Oliveira
AMOR E ÓDIO
Extremos que se unem
Trazendo alegria e dor
Sentimentos conflitantes
Que em momentos distantes
Fazem o bem ou o furor
Quisera que só carinho existisse
Com o mais ardente fulgor
Deixando fluir a beleza
Dos que possuem a grandeza
De exercitar o amor
De costas um para o outro
Num antagonismo extremo
Há momentos de beleza
Há momentos de tristeza
Sempre um prevalecendo
Embora assim tão distantes
Com aproximação impossível
Juntos eles sempre estarão
Como que se dando as mãos
No afeto ou no desprezível
Manter a distância entre ambos
É viver inteligente
Não permitindo a proeza
Daqueles que com certeza
Agem como a serpente.
Adilson Miranda de Oliveira
UM AMOR VERDADEIRO

Um sentimento sustentado por algo invisível
Que só perceptível por quem dele desfruta
Jamais se perdeu as mutilações dessa louca vida
Tem força imaginária mas que honrosa labuta
O tempo que se passou serviu-lhe a sedimentá-lo
Inexplicavelmente foi crescendo e tomando conta de tudo
Não permitindo sequer que outro caminho se apresentasse
Inigualavelmente. Uma força da linguagem do mudo
Nascido de um simples olhar em meio ao labor
O que será que aconteceu para ser tão forte?
Indagar-se-ia se não soubesse a efetiva causa
Dela seguramente estará saindo o fulgor, o transporte
Nada o detém ainda que com as turbulências vividas
Inquieta-se em momentos. Conclui-se e conforma-se depois
Mas algo de muito forte e imensurável sempre está a existir
Como a testemunhar que não há outro caminho para os dois
Ninguém pode assegurar do que se trata realmente
Pois, quanto mais dificuldade mais ele agiganta
E já se passaram seis anos. Hoje ele é ainda maior
Puxa! Mas que coisa linda de uma vida que se levanta
Frutos produzidos em meio às Agruras de um vendaval
Um Deles de perpetuação humana e de inestimável valor
Marcas profundas seguramente haverão de Assim produzir
Quem questionará a respeito do seu retumbante fulgor?
Jorrando de uma pequena fonte de doçura ímpar
Faz-me feliz sempre que seus lindos olhos vejo
Dela emana a virtude de uma princesa que sabe amar
Linda, pequena, inteligente, morena e por isso te beijo
Parabéns (29.08.00)
Adilson Miranda de Oliveira
SENTIMENTOS

Sinto na boca o seu gosto
Refletindo no peito o amor
Sinto na pele a carícia
Que delícia, que sabor
Sinto que o fogo me consome
Como algo inquietante
Sinto que tudo não passa...
Sem que eu o veja radiante
Sinto a beleza da tu’alma
Conteúdo escondido
Sinto que não as exibe...
Guardas em desmedido
Sinto que és poderosa
Contudo bem precavida
Sinto que me desejas
Porém não sem medida
Sinto o seu destemor
Capaz de atos translouco
Sinto que nada perdes
Sem que ganhes um pouco
Sinto que não nos deixam
Portam-se como uma fera
Sinto o odor, o aroma
Daquilo que nos espera
Sinto quão mui difícil
Mas compatíveis eles são
Sinto sempre o que sinto
Mas não sinto sejas em vão
Sinto até a impossibilidade
De não vir mesmo a sentir
Sinto impossível viver
Sem ser possível sorrir
Adilson Miranda de Oliveira
Imagem online: Hidden kiss por Olga Gernovski. Disponível em: http://gehspace.com/contos-de-amor/ [Acessado 12 mar 2011]
FUGA
Adilson Miranda de Oliveira
FUGA
Quando te procuro não o acho
Quando te acho não o vejo
Quando te vejo não o sinto
Quando te sinto não o percebo
Quando te desejo não o tenho
Quando te tenho não o posso
Quando o posso não o deixam
Quando te deixam não estás
Penso como eras linda
Penso como se fosse presente
Penso o profundo desejo
Penso naquele amor ardente
Penso e fico a pensar
Penso num amor bem sublime
Penso sentindo o seu ar
Penso no que me redime
Viajo com o amor no peito
Viajo com ela em mente
Viajo sem sair do lugar
Viajo como de repente
Viajo não pago nada
Viajo sem ninguém ver
Viajo sem uma parada
Viajo para lhe ter
Imagem online: Dali-scape Digital Art by Scott Bricker. Disponível em: http://fineartamerica.com/featured/dali-scape-scott-bricker.html [Acessado 12 mar 2011]
ESCURIDÃO
Atitudes contraditórias
Fomentadoras de dúvidas
Nada há de construir
Não fomentando o porvir
Numa função sempre púlvida
Inconstante, descaso e insensibilidade
Seguramente não se afinam
Com aqueles que com respeito
Sempre encontram um jeito
Para revelar que atinam
Sentimentos enegrecidos
Borbulhantes a todo instante
Quem dera nunca mais vê-los
Sentindo o mundo vencê-los
O amor vencendo, brilhante
Revanchismo em posição inversa
Não ajustável a quem ofende
Desvirtua a nobreza do ato
Se isso fosse o aparato
Dos que assim o entende
Gestos deliberadamente provocantes
Não próprios dos da nobreza
Só servem os que mesquinham
Já que deles se avizinham
Longe de ser uma grandeza.
Adilson Miranda de Oliveira
Imagem online: Escuridão. Disponível em: http://rickmazzorana.blogspot.com/2009_02_01_archive.html [Acessado 12 mar 2011]
Nenhum comentário:
Postar um comentário