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A dualidade gestão pública e atividade política não se
harmonizam, como pretendem aqueles que se ocupam do tema, na medida em que o
povo não vota em ideologias e nem em partidos políticos, mas sim no homem,
visando encontrar os melhores gestores públicos e legisladores, a fim de
alcançar a consecução da coisa pública e o interesse social.
O certo é que o tema irá causar muitas discussões, uma vez
que já se tornou um hábito o indivíduo se eleger prometendo agir dentro da Lei
e da moralidade, mas, ao tomar posse, passa a entender que a coisa pública lhe
pertence, é sua propriedade, e, portanto, se comporta irresponsavelmente,
abandonando a outorga que recebeu dos eleitores. Assim acontece quando contrata
seus apaniguados políticos, inclusive, para ocupar cargos desnecessários,
principalmente, loteando a administração com pessoas filiadas aos partidos que
o apoiaram, gastando o dinheiro do povo com coisas desnecessárias. Quando faz
uma obra o custo dela é três quatro vezes maior do que se fosse feita por um
particular, graças às inúmeras Leis e organismos que eles mesmos criaram para
dar sumiço nos recursos públicos, como a Lei de Licitação, a Lei de
Responsabilidade Fiscal, os Tribunais de Contas, as normas que criam
privilégios e imunidades e tantas outras. Certamente que todas elas não passão
de odiosos “penduricalhos” que impedem a punição dessa gente quando se desviam
das suas funções.
Daí porque, o chamado “Custo Brasil” se tornar insuportável
ao povo brasileiro, já que nenhuma soma de dinheiro é suficiente para custear a
máquina administrativa, em todos os setores, inclusive no Judiciário, o que é
uma vergonha, considerando que a Justiça deveria ser a primeira a dar o exemplo
e nem sempre assim o faz. Só para se ter uma ideia do descalabro
administrativo, o Estado do Paraná tem o dobro de juízes do que o Estado da
Bahia, como o mesmo volume de recursos; enquanto isso, no Tribunal da Bahia que alega
dificuldades financeiras para mandar um Juiz para Ibicaraí, verifica-se que só
uma agente de portaria percebeu de janeiro a outubro em média R$34.000,00 e
fração. Não se tem dinheiro para nada, mas o povo continua pagando impostos,
taxas judiciais e multas escorchantes.
Certamente, que o povo é tratado como simples “escravos de
luxo”, aliás, a escravidão só mudou de jeito, antes as pessoas eram
escravizadas abertamente; agora elas se acham livres e independentes, mas vivem
só para produzir e pagar impostos, em troca de uma devolução em serviços que não
se vê. Faltam médicos, remédios, segurança, educação – agora o Governador está
fechando dezenas de escolas na Bahia, falta Justiça e todos os serviços a ela
inerentes, inclusive com a inegável piora depois das privatizações dos serviços
cartorários. Quem quiser saber o que está acontecendo vá registrar um bem num
cartório, principalmente no de Ibicaraí, ou tirar a segunda via de uma simples
certidão! Induvidosamente, tudo foi desorganizado em nome da melhoria da
prestação de serviços.
Nessa linha de pensamento, verifica-se, que por trás de tudo
isso estão os interesses políticos, as vaidades pessoais, a necessidade de se
manter na mídia, a falta de responsabilidade com o povo, a arrogância, os
desvios de caráter, a impunidade, a falta de DEUS no coração, a
insensibilidade e tantos outros adjetivos qualificativos. Vejam no que se
transformou o Estado do Rio de Janeiro, com uma quantidade imensa de “ratos” e
criminosos ocupando a maioria dos postos mais elevados do executivo. Certamente
que o povo não merece e não quer ver a politicagem fazendo parte da
administração pública porque isso só serve para desorganizar o sistema e dar
fim nos impostos pagos pelo povo. Portanto, gestão pública não combina com
atividade política ideológica e enquanto se pensar o contrário o nosso povo
continuará sofrendo.
Dr. Adilson Miranda é advogado, procurador de prerrogativas
da OAB-Subseção de Ibicaraí, presidente da comissão de Direitos Humanos e
Diretor Tesoureiro da OAB-Subseção de Ibicaraí.